| A restauração (dir.) realizada pela artista amadora Cecilia Gimenez não tem traços em comum com a pintura original (esq.).Reuters |
A televisão pública espanhola mostrou imagens de uma longa fila de espera para se aproximar da obra, pintada sobre uma coluna de uma igreja local e agora protegida por um cordão de segurança.
Um dos organizadores da festa do santo patrono de Borja, que acontece neste sábado, agradeceu publicamente "aquela que fez com que nossa cidade se tornasse conhecida no mundo todo".
Cecilia Gimenez provocou a consternação de protetores do patrimônio e a hilariedade de internautas do mundo inteiro com seu trabalho. Os cabelos que mais se parecem com o pelo de um macaco, a boca apagada e o nariz estilizado de maneira desastrosa não têm nada em comum com o original, um "Ecce Homo" de traços delicados pintado por um artista local, Elias Garcia Martinez.
"Ecce homo" faz referência a um motivo pitórico que representa Jesus Cristo, geralmente amarrado e com uma coroa de espinhos, pouco antes do momento da crucificação. A obra, realizada na primeira década do século 20, não estava na lista do patrimônio nacional a ser protegido.
Na Internet, o trabalho de "restauração" da senhora de 80 anos inspirou inúmeros comentários e paródias, mostrando por exemplo os rostos do rei Juan Carlos ou do chefe do governo, Mariano Rajoy, com os cabelos da nova versão.
Até este sábado, cerca de 18 mil pessoas já haviam assinado um petição contra o projeto da cidade de restaurar a pintura em sua versão original. Uma equipe de especialistas deve chegar a Borjas na próxima segunda-feira para avaliar o que é possível fazer.
A intervenção da artista amadora "é um reflexo inteligente da situação política e social do nosso tempo", diz a petição, que vê nela "uma crítica sutil às teorias criacionistas da Igreja" e compara seu estilo ao de Goya, Munch ou Modigliani.
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