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| As conexoes vão se comprovando pouco a pouco |
O povo brasileiro se acostumou com nosso problema histórico de corrupção. No passado, achava que era um problema de políticos específicos, quase que uma questão individual e moral. Mas quando investigações jornalísticas e policiais expuseram a corrupção, que durante a ditadura militar foi varrida para debaixo do tapete, o efeito esperado de indignação não gerou mobilização suficiente para fazer o limpa necessário.
Estamos presos nesse círculo vicioso de denúncias que até geram alguma punição seletiva, mas não nos livram da corrupção de vez. O buraco é mais embaixo e para combater a raiz da corrupção é preciso lutar contra o sistema que incentiva e aperfeiçoa as relações espúrias entre políticos e as elites. Não tem jeito, é preciso falar de capitalismo.
Um rombo como o causado por Daniel Vorcaro e o Banco Master não seria possível se não fôssemos um país tão rentista, onde a atenção dada ao investidor e aos grandes conglomerados financeiros se sobressai às políticas públicas que impactam diretamente a maioria do povo.
Um governo mais à esquerda pode até facilitar essas políticas públicas, mas o elo entre o setor privado e o estado é tão forte que o rentismo prevalece e as portas seguem sempre abertas aos CEOs de corporações, muito antes do protesto do povo ser ouvido.
Em um governo de direita e, quanto mais à direita, as condições são ainda piores. É quando regredimos de vez, com cortes de gastos sociais, que realmente importam para melhorar a vida da classe trabalhadora; e bastante apoio estatal em parcerias que facilitam o lucro de grandes empresas, em nome da eficiência do estado e, às vezes, até da ordem e do progresso.
Por isso, em um ano eleitoral tão arriscado quanto este, é preciso manter os olhos abertos para o que não queremos e também para o que queremos. É fundamental escancarar as relações abjetas entre o Centrão, a família Bolsonaro e seus ultra-ricos de estimação, onde quer que estejam: no agro, na especulação imobiliária ou na Faria Lima.
E ao entendermos melhor como o casamento entre capital e estado funciona de forma lícita e ilícita – inclusive ao legalizar roubo e apropriação, como vemos nas grandes privatizações – devemos moldar nossas pautas e colocar pessoas e partidos dentro das legislaturas e governos que realmente defendam nossos interesses.
Fonte:Sabrina Fernandes
Colunista do Intercept Brasil
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