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| Flávio Bolsonaro, aquele que nunca foi |
Muito além do bolsonarismo, o financiamento opaco da produção escancara a facilidade com que parlamentares operam contratos e fundos sem controle institucional.
19 de maio de 2026, 11h53
O escândalo do financiamento do filme “Dark Horse” revela um problema que vai muito além do bolsonarismo. Ele expõe uma zona cinzenta perigosa entre política, negócios privados, influência internacional e ausência de controle institucional. E o Congresso precisa enfrentar isso antes que seja tarde.
O último furo de reportagem do Intercept abriu uma verdadeira caixa de Pandora. Até então, Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, senador licenciado e pré-candidato à Presidência da República, insinuava que jamais teria sequer conversado com Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master — que foi liquidado pelo Banco Central —, e que hoje está preso sob acusações de gestão fraudulenta e corrupção.
Questionado pelo repórter Thalys Alcântara sobre o suposto financiamento do filme “Dark Horse”, produção dedicada a glorificar Jair Bolsonaro, Flávio reagiu dizendo tratar-se de “mentira” e tentou desqualificar o jornalista como “militante”. Horas depois, o próprio Intercept divulgou um áudio em que o senador pede dinheiro ao ex-banqueiro para o projeto, o chama de “irmão” e demonstra solidariedade pelo “momento difícil” vivido por ele.
As mentiras e contradições
Primeiro, Flávio afirmou que se tratava apenas de dinheiro privado. Mas o Banco Master foi amplamente abastecido por recursos públicos e paraestatais, inclusive por meio de fundos ligados a aposentadorias do setor público.
Depois, alegou que não poderia revelar os aportes de Vorcaro porque havia cláusulas de confidencialidade nos contratos.
Mas, ao que tudo indica, Flávio não era parte desses contratos. Logo, não estava juridicamente obrigado a guardar segredo algum. Foi pego numa mentira elementar.
Fonte:
Fabio de Sa e Silva
Intercept_Brasil

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