| Colunista Roseann Kennedy, do Estadão, diz que Eduardo Bolsonaro se consolida como camisa 10 de Lula |
A jornalista Roseann Kennedy, em análise publicada no Estadão, afirma que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) acabou se consolidando como o "camisa 10" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a colunista, a atuação política do deputado federal licenciado nos Estados Unidos e sua recente condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contribuíram para fortalecer a narrativa defendida pelo governo sobre soberania nacional e enfraquecer o campo bolsonarista.
A avaliação foi feita após a condenação unânime de Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão por coação de ministros do STF no âmbito das investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado. Para Roseann Kennedy, o episódio representa uma ironia política: ao tentar atuar em favor do grupo bolsonarista, Eduardo teria acabado oferecendo argumentos valiosos ao governo Lula.
De acordo com a colunista, o parlamentar licenciado, conhecido como "Zero Três", transformou-se involuntariamente em um importante cabo eleitoral do presidente. Isso porque sua atuação internacional, marcada por articulações políticas nos Estados Unidos e críticas às instituições brasileiras, acabou reforçando o discurso governista em defesa da soberania nacional.
O contraste ficou evidente no mesmo dia em que ocorreu a condenação. Enquanto Eduardo era sentenciado pelo STF, Lula cumpria agenda internacional defendendo justamente a autonomia do Brasil diante de pressões externas e reforçando o papel das instituições democráticas.
Roseann Kennedy também destaca que as consequências políticas do episódio podem atingir diretamente os planos eleitorais da família Bolsonaro. O principal impacto recairia sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como potencial candidato à Presidência da República em 2026.
Segundo a análise, Eduardo sempre foi um dos principais defensores do nome do irmão dentro do grupo bolsonarista, mesmo diante de avaliações de que uma candidatura mais ampla no campo da centro-direita poderia ter maior competitividade contra Lula. Com a condenação e o aumento do desgaste político, no entanto, a viabilidade desse projeto passa a ser questionada.
A colunista observa ainda que Eduardo Bolsonaro passou a associar a imagem do irmão a temas sensíveis para o eleitorado, especialmente após participar da articulação do encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Na avaliação apresentada pelo Estadão, essa aproximação ocorre em meio a discussões sobre possíveis medidas comerciais mais duras contra produtos brasileiros, o que poderia gerar rejeição entre eleitores moderados e independentes.
Nos bastidores do bolsonarismo, já existem sinais de insatisfação com o desempenho político de Flávio Bolsonaro. Conforme relata Roseann Kennedy, aliados do núcleo mais próximo do movimento identificam um processo de desgaste que pode abrir espaço para outras lideranças da direita.
A situação se soma à queda do senador em pesquisas e às repercussões negativas de episódios recentes envolvendo conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Nesse contexto, cresce entre setores do PL a discussão sobre alternativas para a disputa presidencial.
Segundo a colunista, os primeiros movimentos apontam para uma tentativa de fortalecer o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) como possível substituto caso a candidatura de Flávio Bolsonaro perca viabilidade.
Para Roseann Kennedy, embora parte do bolsonarismo ainda aposte em uma reviravolta jurídica e política, o cenário atual indica que a condenação de Eduardo Bolsonaro agravou as dificuldades do grupo. Em vez de fortalecer o projeto político da família, a atuação do deputado licenciado teria ampliado a crise interna e reforçado um discurso que beneficia diretamente o presidente Lula.
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