Travada no século 19, a Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado da história do continente, dizimou entre 60% e 70% da população paraguaia e deixou marcas que persistem até hoje.

Guerra do Paraguai que dizimou cerca de 70% da população paraguaia. — Foto: Domínio Público


O conflito citado é considerado
o episódio mais sangrento da história da América do Sul.


O que foi a Guerra do Paraguai?

A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, foi o maior conflito armado da história da América do Sul. Travada entre 1864 e 1870, ela colocou o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.

O conflito começou em meio a disputas políticas na região do Rio da Prata. Em 1864, o governo brasileiro interveio militarmente no Uruguai durante uma guerra civil no país vizinho. O então ditador paraguaio, Francisco Solano López, considerou a ação uma ameaça ao equilíbrio regional e reagiu apreendendo um navio brasileiro e declarando guerra ao Brasil.


Meses depois, tropas paraguaias invadiram territórios que reividicavam que hoje fazem parte de Mato Grosso do Sul e avançaram também sobre áreas da Argentina. Em resposta, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram, em maio de 1865, o Tratado da Tríplice Aliança, comprometendo-se a combater o Paraguai até a derrota de López.

A guerra se estendeu por quase seis anos e teve algumas das batalhas mais sangrentas da história do continente, como Tuiuti, em 1866. Apesar de sucessos militares iniciais, os paraguaios passaram a sofrer sucessivas derrotas à medida que o conflito avançava.

Em janeiro de 1869, tropas brasileiras ocuparam Assunção, a capital paraguaia. Mesmo assim, Solano López continuou a resistência no interior do país até ser morto em Cerro Corá, em 1º de março de 1870, episódio que marcou o fim da guerra.

As consequências foram especialmente severas para o Paraguai. Além da destruição de boa parte da infraestrutura do país e da perda de territórios, o conflito provocou uma grave crise demográfica.

    Corpos de paraguaios mortos durante a guerra empilhados                         no campo, em imagem de 1866 — Foto: Fundação Biblioteca                      Nacional. 


A estimativa de de mortos foi de:

Uruguai: 3120 mortos;

Argentina: 18 mil mortos;

Brasil: 50 mil mortos.

No caso do Paraguai, não há um concenso do saldo de mortos, no entanto, acredita-se que cerca de 150 mil paraguaios foram mortos no conflito — equivalente de 60% a 70% da população do país.
Crise diplomática
Após as declarações de Lula, o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, afirmou que o governo defenderá a "dignidade" e os interesses nacionais diante das falas do presidente brasileiro. Segundo ele, o tema também foi discutido em uma conversa por telefone entre o presidente do Paraguai, Santiago Peña, e o chefe de Estado brasileiro.


Em entrevista coletiva, Ramírez Lezcano afirmou que o governo compartilha o sentimento da população paraguaia diante de um episódio "tão sensível" da história do país.
"A dignidade do Paraguai não é negociável. Quero que saibam que, sob a liderança do Presidente Santiago Peña, abordamos esta questão ao mais alto nível desde o início", afirmou.

Na quarta-feira (29), a Câmara dos Deputados do Paraguai emitiu uma declaração oficial para repudiar a fala de Lula. Segundo o documento, as declarações do presidente "distorcem e minimizam" a dimensão histórica do conflito.

Em nota, o órgão afirma que o presidente "desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio" e as consequências geradas pela guerra.