O STF encontra-se em uma situação bizarra. Ainda que, pelo menos a princípio, não haja nada que esteja configurado como ilegal, é inegável que ambos precisam ser investigados e não podem tomar nenhuma decisão em relação ao caso.
A guerra entre os ministros deixou de ser fria. Depois de quebrar o sigilo que arrastou Moraes para o olho do furacão, Mendonça decidiu colher um depoimento de Vorcaro após ele relatar ter sofrido intimidações por parte da Polícia Federal e pedir para ser ouvido com urgência.
Mendonça agora virou o guardião da lisura processual e protetor do réu contra supostas intimidações da PF, que não foram comprovadas. O nível de desfaçatez é espantoso.
As acusações de Vorcaro contra a PF chegam na esteira de outra guerra: Mendonça versus PF, que há algum tempo brigam nos bastidores do caso Master. Moraes se juntou à PF nesta guerra e sua vingança veio a cavalo. Em relatórios enviados ao STF, a PF afirmou que Mendonça quis saber dos investigadores se havia algo relacionado a Moraes no celular de Vorcaro.
Se Mendonça extrapolou suas funções de um lado, Moraes extrapolou do outro. O ministro resolveu utilizar o inquérito das Fake News para acusar Mendonça de uma série de crimes: usurpação da direção das investigações, condução irregular de tratativas de delação premiada e direcionamento de investigação contra o próprio magistrado.
Essa crise moral que vive o STF não pode escamotear a briga política e eleitoral que rola como pano de fundo. Alexandre de Moraes é o homem que salvou a democracia, colocou os golpistas na cadeia e tornou-se o inimigo número 1 do bolsonarismo, que hoje é representado no STF por André Mendonça.
Não restam dúvidas de que Mendonça iniciou uma operação eleitoral para atacar o maior desafeto dos golpistas e blindar a Flávio Bolsonaro no caso “Dark Horse”, cujo sigilo ele se recusa a derrubar.
É fato que tanto Moraes quanto Mendonça mantiveram relação promíscua com o maior bandido do Brasil e devem ser rigorosamente investigados. É preciso registrar, entretanto, que um deles é o terror dos golpistas e o outro sempre foi o guardião do golpismo.
Isso não absolve nem condena ninguém de possíveis crimes cometidos, mas é preciso que fique claro quais são as forças políticas que movem os ministros. Se dependesse do bolsonarismo, hoje o STF seria formado por um cabo, um soldado e André Mendonça.
| Na última quarta-feira, o deputado Nikolas Ferreira publicou um vídeo de quase 12 minutos em que falou sobre a troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. De camisa preta, fundo preto e tom sério, o deputado estava muito indignado com a imoralidade da relação entre o banqueiro criminoso e o ministro.
No dia seguinte, descobrimos que o paladino da ética tratava o mesmo criminoso com muito mais carinho do que se imaginava. Diferente do que sempre afirmou, o deputado mantinha relações com o então dono do Master.
Além de ter os jatinhos de Vorcaro à disposição para fazer campanha eleitoral, Nikolas chamava-o de "Dani” e tinha liberdade para mandar áudio no zap pedindo favores. Em um deles, o deputado pediu para o então banqueiro liberar um ativo minerário do seu advogado e ex-assessor de seu gabinete.
No meio do pedido, com uma voz doce e um jeito meigo, Nikolas confessa para Vorcaro que gostaria de “ter mais proximidade” com ele. Pediu até desculpas por ter criticado o banco Master nas redes sociais: “Eu não fazia ideia que era o banco do Dani”.
Minutos depois, Dani confirma que ajudará o deputado e escreve: “Amém, irmão. Estamos na guerra juntos".
Mesmo com a revelação da amizade, o deputado continua se fazendo de louco e negando a proximidade com o ex-banqueiro. |
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| Nesta semana, uma nova fake news sobre Lula passou a circular na praça. Os candidatos bolsonaristas Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Marcelinho Carioca espalharam que Lula desprezou a profissão de gari. Pegaram uma fala de um discurso do presidente em Belo Horizonte, cortaram pela metade e inverteram o sentido do que ele disse.
No trecho compartilhado por Flávio, Lula fala o seguinte: “Quando eu passo na rua e vejo aquelas pessoas que trabalham recolhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho: ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar: ‘Eu sou engenheiro’, ‘eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pôde estudar”.
O vídeo é interrompido e omite a parte em que Lula conclui o raciocínio: “Eu fico pensando se aquelas pessoas que fazem a limpeza na rua soubessem a importância do trabalho deles. Que se eles não tirarem lixo durante uma semana, as pessoas que não enxergam ele durante o dia inteiro vão passar a enxergar. A gente começa a mudar, porque o pobre é tratado como se fosse invisível. As pessoas não enxergam a maioria dos pobres”.
Alguns excessos e golpes abaixo da cintura são toleráveis em uma campanha eleitoral. Faz parte do jogo, sempre foi assim. Mas fabricar fatos de maneira tão descarada para atacar o adversário por palavras que ele nunca disse é um nível de canalhice que está muito acima do tolerável. É mais um absurdo que o Tribunal Superior Eleitoral certamente deixará passar. Ainda mais agora, que tem Kassio Nunes como presidente e André Mendonça como vice.
Fonte:Intercept Brasil- Reportagem- João Filho |
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